O ex-deputado federal Marcelo Nilo (Republicanos) oficializou, nesta terça-feira (24), o recuo de sua pré-candidatura ao Senado para integrar a coordenação da campanha do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil, ao Governo da Bahia.
O acordo foi selado após uma reunião de quatro horas com o prefeito Bruno Reis (União Brasil) e o senador Angelo Coronel (Republicanos), na qual Nilo aceitou assumir a cadeira de deputado federal na vaga de Alex Santana (Republicanos), que se licenciará para assumir uma secretaria na Prefeitura de Salvador.
O que foi acordado
Como principal contrapartida, Nilo terá o direito de indicar o primeiro suplente na chapa de reeleição de Angelo Coronel — com a possibilidade de ele próprio ocupar o posto, definição prevista para esta quinta-feira (26). O entendimento também assegura a Nilo o comando de uma secretaria de estado caso a oposição vença as eleições de outubro. O movimento visa evitar a fragmentação do grupo, que já conta com Coronel e João Roma (PL) como nomes para a Câmara Alta.
Em seu retorno a Brasília, marcado para a próxima segunda-feira (30), Marcelo Nilo prometeu uma postura de oposição combativa ao ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT). O parlamentar pretende pautar seu mandato em denúncias sobre o caso dos respiradores e em projetos voltados à segurança hídrica no interior baiano. Para a cúpula do União Brasil, a permanência de Nilo é estratégica pelo seu histórico de críticas contundentes à gestão petista e sua capilaridade política no estado.
Apelo de Bruno Reis e a coordenação de campanha
O prefeito de Salvador, Bruno Reis, fez um apelo público para que Nilo priorizasse o projeto de “libertar a Bahia” em detrimento de ambições individuais. Segundo Reis, a chegada de Angelo Coronel ao grupo de oposição exigiu sacrifícios de espaço, mas a experiência de Nilo é considerada indispensável para apontar os problemas acumulados nos últimos anos de gestão governista.
Além do cargo legislativo, Nilo foi alçado ao rol de coordenador da campanha de ACM Neto. Ele atuará na linha de frente da comunicação, produzindo conteúdos e vídeos com foco nos indicadores sociais e econômicos do estado.
Impacto na suplência e a vaga de Alex Santana
A saída de Alex Santana da Câmara dos Deputados abre espaço para que Nilo exerça um mandato de aproximadamente dez meses. Santana não disputará a reeleição e deve assumir uma pasta técnica na capital, fortalecendo a gestão de Bruno Reis. Essa movimentação garante ao Republicanos a manutenção de um quadro experiente em Brasília em um ano de votações decisivas.
A definição do primeiro suplente de Coronel é o último detalhe para pacificar totalmente o grupo. Se Nilo optar por ele próprio ser o suplente, ele garante um “seguro político” caso Coronel vença e venha a assumir um cargo no Executivo no futuro. A oposição acredita que, com Nilo pacificado, a chapa majoritária ganha coesão para enfrentar a máquina estadual.

