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Chuvas na Zona da Mata Mineira deixam 53 mortos e ampliam calamidade em Juiz de Fora e Ubá

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O número de vítimas fatais provocadas pelos temporais que atingem a Zona da Mata Mineira desde a última segunda-feira (23) subiu para 53, conforme atualização divulgada, na manhã desta quinta-feira (26), pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CB-MG). As mortes foram registradas principalmente nos municípios de Juiz de Fora e Ubá, cidades mais impactadas por deslizamentos de terra e enchentes após dias consecutivos de chuva intensa.

De acordo com o balanço oficial no terceiro dia de buscas, Juiz de Fora concentra 47 mortes e 13 pessoas continuam desaparecidas. Em Ubá, são seis mortos e dois desaparecidos. A tragédia ocorre em meio à passagem de uma frente fria, que mantém o cenário de instabilidade meteorológica e amplia o risco de novos desastres naturais.

Frente fria mantém risco elevado

Segundo a Defesa Civil estadual, a passagem de uma frente fria mantém o cenário de instabilidade meteorológica nesta quinta-feira. Os acumulados de chuva variam entre 40 e 60 milímetros na Zona da Mata, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na região central do estado, além do Norte e Noroeste de Minas.

Há risco de alagamentos, enxurradas e novos deslizamentos de terra, além de previsão de pancadas fortes acompanhadas de raios, trovoadas e rajadas de vento que podem chegar a 80 quilômetros por hora, com possibilidade de granizo isolado. As temperaturas máximas devem oscilar entre 25°C e 28°C.

O alerta meteorológico reforça a necessidade de atenção redobrada em áreas de encosta e próximas a cursos d’água, especialmente nas regiões já saturadas pelo volume de chuva acumulado desde o início da semana.

Mais de 3,5 mil pessoas fora de casa em Juiz de Fora

Além das mortes e desaparecimentos, o impacto social das chuvas é significativo. A Prefeitura de Juiz de Fora informou que há mais de 3,5 mil pessoas entre desabrigadas e desalojadas. Desde o início dos temporais, a Defesa Civil municipal registrou 1.300 ocorrências desde a última segunda-feira (23), incluindo deslizamentos, alagamentos, interdições de imóveis e quedas de árvores.

A última atualização do Corpo de Bombeiros aponta cerca de 3 mil desabrigados apenas em Juiz de Fora, enquanto Ubá registra 26 pessoas fora de suas residências. Muitas famílias perderam completamente suas casas após deslizamentos de encostas ou foram retiradas preventivamente por risco estrutural.

Em bairros da zona leste de Juiz de Fora, como o Alto Grajaú, imóveis foram condenados pela Defesa Civil após deslizamentos comprometerem a base das construções. Há casos em que apenas parte da estrutura permanece de pé, evidenciando o risco de desabamento.

Abrigos improvisados e incerteza sobre moradia

Com a decretação de situação de calamidade, escolas públicas foram transformadas em abrigos emergenciais. Uma das unidades utilizadas inicialmente foi a Escola Municipal Murilo Mendes, onde famílias passaram a se instalar de forma improvisada, distribuindo pertences em salas de aula e dormindo em colchonetes.

Posteriormente, por razões de segurança, a prefeitura transferiu o abrigo para a Escola Estadual Padre Frederico Vienken, localizada no Bairro Bonfim, também na zona leste. A medida buscou garantir melhores condições estruturais para acolher as famílias afetadas.

Entre os desabrigados estão trabalhadores que já enfrentavam dificuldades financeiras antes do desastre, incluindo pessoas que dependem exclusivamente de benefícios sociais ou auxílio-desemprego. A ausência de previsão para retorno às residências ou reassentamento definitivo aumenta a ansiedade e a insegurança dessas famílias, muitas delas compostas por crianças e idosos.

Mobilização da sociedade e pontos de apoio

Diante da gravidade da situação, diferentes setores da sociedade civil passaram a se mobilizar para prestar assistência aos atingidos. No bairro Industrial, na zona norte de Juiz de Fora, um espaço comercial foi transformado em ponto de apoio para arrecadação e distribuição de doações.

A região, próxima ao Rio Paraibuna, também sofreu impactos após o rio transbordar durante a semana. Voluntários organizaram a entrega de alimentos, água potável, marmitas prontas, óleo de cozinha, itens de açougue e materiais de limpeza. Em áreas que ficaram ilhadas, botes foram utilizados para transportar suprimentos.

Moradores atingidos pelas enchentes têm buscado principalmente produtos de limpeza, rodo, vassouras e água sanitária, além de alimentos e roupas. Muitos chegam aos pontos de apoio ainda cobertos de lama, tentando recuperar o mínimo possível das residências alagadas.

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